Em live sobre a Reforma da Previdência, Romeu Zema proferiu graves acusações contra dirigentes e sindicatos
Dirigentes do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (SINJUS-MG) interpelaram judicialmente o Governador do Estado, Romeu Zema, em razão de manifestação pública na qual a autoridade atacou servidores públicos e sindicatos.
Em live transmitida no dia 20 de julho em suas redes sociais, com o objetivo de discutir a reforma da previdência mineira, o governador exaltou-se ao mencionar entidades sindicais que defendem os direitos e interesses de servidores públicos e são contrárias ao retrocesso causado no regime previdenciário.
Ultrapassando o senso de urbanidade e a saudável discussão democrática, Romeu Zema efetuou severas críticas aos dirigentes sindicais e os acusou de obstarem as reformas necessárias ao desenvolvimento do Estado apenas para ganhar visibilidade, recomendando a população em geral a ficar atenta quanto ao posicionamento "desse tipo de público".
Não fosse suficiente, o governador insinuou que os dirigentes sindicais possuem postura tendenciosa, uma vez que recebiam vantagens indevidas de políticos em gestões anteriores. Em suas palavras, "o pessoal que estava acostumado com ‘rachadinha’ e não sei mais o quê, agora fica dando do contra”. O termo vem circulando nas grandes mídias nas notícias sobre investigações em face políticos e servidores, que repassariam parte da remuneração em troca de vantagens ilícitas.
Tratando-se da acusação de um delito, a fala pode vir a configurar calúnia, pois o governador atacou os críticos da reforma da previdência com acusações infundadas e levianas, tencionando macular a imagem dessas pessoas diante do público que acompanhava a transmissão.
Segundo o advogado da causa, Rudi Cassel (Cassel Ruzzarin Santos Rodrigues Advogados), “diante da gravidade das acusações, amplificadas pela publicidade que receberam, a ação cobra do governador explicações sobre quem seriam as entidades e os dirigentes supostamente beneficiados ilicitamente".
A interpelação recebeu o número 157/DF e foi distribuída à Ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça.